Segunda-feira, Setembro 15, 2003

CRÍTICAS


Lembram-se de uns desenhos animados, dos mais populares há uns anos atrás, quando o Sangoko (ou lá como é que se escreve) era um perfeito desconhecido - tipo a própria Zélia antes de entrar no BB4 - os desenhos do BipBip. Quem não se lembra, dirão alguns, quando outros pensam que raio de Pokemon estou a falar.

Jovens, não era um Pokemon... O BipBip era uma avestruz impecável, cinco estrelas mesmo, que não chateava ninguém, nem tinha super-poderes de fusão para salvar o universo. Era uma avestruz à  antiga, daquelas em extinção de chichinha mole, que qualquer coiote quer papar... (ele hà frases que descontextualizadas...)

E o coiote era um engenheiro do caraças! A sério, aquele coiote tinha a escola toda, a mesma escola que têm alguns senhores que andam a fazer pontes neste paí­s, e no final o resultado era bem o mesmo. Pois é, o Eng. Coiote recorria às engenhocas, às armadilhas mais elaboradas (dignas de uma pós graduação do IST) para capturar o dito BipBip.

Mas nunca conseguiu (eu pelo menos nunca cheguei a ver o último episódio, assim como tb. não vi o do Anjo Selvagem ou o do Dallas, pelo que não sei se a Mariana ficou com o outro, ou se o JR morreu realmente) e pior que isso é que o Eng. caí­a sempre na própria artimanha. Era ele sempre a vítima da sua armadilha.

Comigo também foi assim... O pior que pode acontecer a um crí­tico é cair na ignorância da sua crí­tica. Então não é que eu critico quem chama nomes que não são às coisas que são, e acabo por cair no mesmo erro? Lamentável, meu caro Holmes.

Podia alegar distração, podia voltar atrás e corrigir o blog. Mas não. Assumo perante vós o meu total Totozanço. Vou explicar: falava eu há uns dias atrás das minhas "férias felizes" (podia ser nome de prato de restaurante chinês, tipo o 38) e queixava-me dos meus dentes dizendo: "obsesso do outro lado da boca!" , sim "obsesso do outro lado da boca!".

Como é que pude chamar tal coisa a uma inflamação gengiví­tica? Por muito que já tenha ouvido falar em rituais do demo, desconheço que os dentes possam ficar atormentados por Lúcifer, ou perseguidos por ideias fixas. Tentando-me referir a um ABCESSO (palavra qua aprendi a escrever, graças a uma correcção ridiculatória de uma colega minha), consegui metaforizar o que se passava na minha boca dando-lhe um carácter satânico que embelezou a minha prosa.

Tal como o coiote quando cai na armadilha, não me encontro arrependido, procurando já algo novo para criticar. Mas fica para outro dia.

Segunda-feira, Setembro 01, 2003

FÉRIAS

Na realidade de cada um existem factos que nos chateiam particularmente. A maior parte das pessoas, não gosta de estar de férias e ficar doente, outros não gostam de bricolage, quase ninguém gosta de dôr de dentes e há quem não suporte os sogros.

Após muito meses de árduo trabalho, cansativo, stressante, mas motivador e desafiante chega Agosto o mês das férias. Mesmo que não seja para todos, Agosto é sem dúvida o més em que o paí­s todo pára, com excepção do Algarve que se agita e vive num mês a euforia que as restantes regiões do paí­s vivem durante o resto do ano.

Eu não gosto particularmente de férias em Agosto, não gosto particularmente do Algarve (em Agosto então...) mas também não é esse o assunto que aqui me traz. Este ano, por motivos profissionais, tive de gozar 2 semanas de férias em Agosto. Até eram para ser três mas por fim, felizmente, não foi possível. E como se não bastasse a minha falta de vontade (até porque a minha meia-laranja, ou cara-metade não pôde ter férias na mesma altura) pelas férias "forçadas em Agosto", as aspas aqui é apenas para salientar que forçadas está ligado a Agosto e não a férias, aconteceu-me um pouco de tudo aquilo que o comum dos mortais (crentes) reza durante o ano para que não lhe aconteça nas férias (os mortais não crentes não sei como fazem, se puramente confiam que a equação científica não vai falhar...)

Assim foram 2 semanas bem passadas:

4 dias em bricolages domésticas, com o meu sogro (que descobri ser um excelente carpinteiro, graxa?!). Tectos falsos nas varandas recentemente fechadas, deu para tudo, desde carpintaria a electricidade, de pedreiro a afagador, pintor e envernizador. No fim, limpar tudo e contemplar a obra feita. Sim, senhor.

Iam começar as verdadeiras férias... Dia seguinte, plano: praia para relaxar os músculos pouco habituados ao esforço dos dias anteriores, ou será músculos pouco habituados ao esforço? O tempo deu-nos tampa. Tudo encoberto, muito vento, areia na boca. Nada feito. Bora ao Shopping.

Nesse dia uma mega dor de dentes (já há algum tempo prometida, por uma massa que saiu do sitio). Quase sem poder comer, só para um dos lados. Frios e quentes nem pensar. Dentista de férias. "-A Dra. só dá consultas para a semana". Analgésicos para poder suportar um dia enfiado no sofá. No telemóvel recados saudosos da empresa "-Me liga, vai".

Dia seguinte: obsesso do outro lado da boca! A chamada morte oral. Sem poder mastigar, recorrer a papas, caldos, palhinhas e afins. Mesmo assim ainda fui dar uma mãozinha ao meu pai na serragem de lenha para o Inverno (se há coisa que o meu pai não é, é cigarra... farta-se de trabalhar no Verão para poder gozar bem o Inverno, e também não costuma ir para o Algarve). Um dia a tratar de papeis, almoço com uns amigos, passagem pela empresa para dizer: "-Olá pessoal". Dia seguinte na praia. Alta caminhada, cerca de 10km na areia, sem chapéu, garrafa de água ou protector solar. Resultado: mini-escaldão e insolação. Sim, insolação: febre, expectoração dois dias no sofá com fim de semana arruinado para quem ficou a tratar de mim... Dor de dentes persiste... Dentista já marcado vai ser daqui a pouco.

Com férias destas, tenho saudades é do tempo de trabalho. E ainda digo eu mal do Algarve em Agosto?

ÁGUA E SAL

Depois de tanto tempo volto agora à escrita de mais um artigo. Nem sei se artigo é o nome correcto, e depois de anteriormente ser tão exigente com o nome que damos às coisas, tenho de ter especial cuidado.

Por falar em chamar às coisas o que não são, no outro dia fui chamado à atenção para uma transformação grave na nossa realidade. Se há alimento que não suscita dúvidas quanto à sua composição, são as típicas bolachas de água e sal. Bolachas todos sabemos o que são (apesar da abrangência do conceito) e quando se lhe acrescenta à frente a expressão "água e sal", é feita uma particularização, que não levanta dúvidas: bolachas feitas de água e sal. É simples! Não quer dizer que as referidas bolachas não possam ter farinha, e emulsionantes (isso está implícito no conceito de bolacha).

O que é incrivel nisto tudo é que há uma marca de bolachas, cujo invólucro é côr de laranja que pretende à viva força subverter este conceito. Lançaram as bolachas de água e sal enriquecidas com leite! O que é isto? Mas porquê, ou melhor para quê? Depois de ponderar, acho que o único objectivo é confundir o consumidor: "-Tás a comer o quê?" "-Bolachas de água e sal" "-Tradicionais ou Enriquecidas com leite?" Não havia mesmo necessidade. Se a pessoa quisesse enriquecer a pobre bolacha com leite, bebia um copo dele, ou pretende esta marca fazer com que o consumo de leite baixe assustadoramente, pois comendo estas super bolachas enriquecidas, não precisaremos jamais de consumir o referido liquido branco?

Para mim, este conceito não faz sentido, sendo quase tão mau como o do leite com fibras. Não me vou prolongar mais, havia muito por onde lhe pegar, prometendo que brevemente haverá outras novidades, ou artigos, não obrigatoriamente relacionados com os atentados à nomenclatura gastronómica.

Segunda-feira, Agosto 18, 2003

PAO DE LÓ

A ideia de ter um blog apareceu há já uns tempos, quando a moda pegou. Moda, mesmo moda porque nem se sabia do que se falava e já só queriamos ter um. Mas faltava um tema para começar... e este apareceu no outro dia, em conversa de colegas.

Obviamente que só podia ter sido o Pão de Ló a motivar-me a escrever umas linhas por aqui. Finalmente havia assunto: O verdadeiro e único Pão de Ló. Passo a explicar: o que uma grande parte das pessoas conhece como pão de ló não passa na verdade de um erro de léxico. Chamam-lhe pão de ló como podiam chamar-lhe palha da burra ou algo do género. Pão de ló tem de ter (que para os mais distraidos é um "molho" resultante do "excesso" de ovos na sua confecção, que não ficam completamente cozidos durante a ida ao forno).

Se calhar nesta altura há muita gente surpreendida, mas é mesmo verdade... A sociedade mascara um horrivel bolo (?) seco, sem gracinha nenhuma (em que por vezes mal se nota a existencia de ovos) com o nome de pão de ló. E este mascaramento apenas prejudica uma das instituições gastronómicas nacionais.

Não quero fazer propaganda, mas se de todo desconhecem o verdadeiro pão de ló, passem sem falta numa das terras afamadas de ter um verdadeiro bolo deste nome e provem um. Depois disso, compreenderão mais facilmente a minha posição.

Os meus colegas não compreendiam. No fim de semana passei por uma dessas localidades que faz juz à fama, e trouxe-lhes um. Eles estavam relutantes e não sei se estão completamente convencidos (Não pela delícia do petisco, mas antes pelo hábito de terem passado uma vida a chamar os nomes errados às coisas, e os hábitos de uma vida são sempre difíceis de alterar).

Então é assim:

Todos conhecemos os vulgares pasteis:
os de nata - têm nata
os de feijão - têm feijão
os de cerveja - têm cerveja
os de amêndoa - têm amendoa
e assim sucessivamente...

com o pão é parecido:
o de centeio - tem centeio
o de milho - tem milho
o de ló - tem de ter LÓ.

parece complicado, mas é simples.

A um pastel de massa tenra, podemos-lhe chamar de feijão, mas não vai facilitar a comunicação.
Basicamente o nome que damos às coisas pode ser o que queremos, mas para podermos comunicar com o grupo temos de utilizar o mesmo léxico.

Vamos todos a partir de agora fazer um esforço para chamar as coisas pelos nomes... Não custa nada e evitará mal-entendidos... Só o grupo onde nos inserimos beneficiará!

TG

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